UM ADEUS QUE NÃO DEIXOU SAUDADE


Embora tarde, deixou o Ministério da Cultura o bom baiano Gilberto Passos Gil Moreira. Nenhuma novidade. Como administrador, formado pela Universidade Federal da Bahia, Gil provou que é um bom poeta. Seu forte é mesmo a poesia, o show, a musicalidade e a comunicação de palco, menos a burocracia.
Mas, se o tropicalista para aceitar o (en)cargo avisou ao chefe que, por honestidade e necessidade, não poderia abrir mão de sua agenda de shows, então, a quem devemos creditar o ônus da culpa pela apática passagem do artista-ministro?
Gilberto Gil iniciou sua carreira política como vereador, na Bahia. Pouco compareceu às sessões plenárias da Câmara de Salvador. Quando acossado pela imprensa, costumava dizer que o seu nome era muito mais importante para a cidade de Salvador, quando ecoado num festival de jazz, em montreaux, por exemplo, do que quando ouvido entre as quatro paredes da Câmara Municipal. Assim, com o espírito de cidadão do mundo, cumpriu à risca o que prometera à cultura nacional: Nas reuniões ministeriais - poucas contaram com a sua presença - o comentário era de que, sufocado pela gravata, sua participação restringia-se a atender o pedido do chefe para dar o tom final cantando "Esperando na Janela".
Sou fã de Gilberto Gil desde os anos sessenta, quando juntamente com o "mano Caetano", empunhou a bandeira do tropicalismo. Com ele aprendi o sentimento de brasilidade contido " (n)Aquele Abraço" e embarquei em seu "Expresso 2222" para aventuras inesquecíveis...
Talvez por isso, lamente a sua atuação como ministro da Cultura, cuja atuação não conseguiu apresentar nenhum projeto inovador. Respeito o poeta que literalmente nos faz "Kair NGan Daya". Repudio o governo cujo ministro não dispõe sequer de tempo para cumprir seus compromissos oficiais, quase sempre relegados a um segundo plano.
A tirar pelo presidente Lula que por diversas vezes declarou nada saber do que acontece ao seu redor, apesar de sustentar um recorde de popularidade, as políticas públicas voltadas para a promoção de programas culturais no Brasil continuarão avançando tal e qual a "Procissão" do ex-ministro: "... se arrastando que nem cobra pelo chão..."