Cel João de Andrade Pessoa Anta. Nasceu a 23 de dezembro de 1787 em Granja, Ceará, e c.c. Raymunda Ferreira Veras. Mártir da Confederação do Equador foi fuzilado a 30 de abril de 1825 em Fortaleza, na antiga Praça dos Mártires, hoje chamada de Passeio Público. Muito moço ainda, Pessoa Anta foi nomeado Sargento-Mor, depois Capitão-Mor e Coronel de Milícias e condecorado com a distinção de Cavaleiro da Ordem de Cristo, antes de aderir às idéias revolucionárias do movimento republicano de 1824.
Sobre Pessoa Anta escreveu o Barão de Studart:
" A seus esforços e poderoso concurso mallogrou-se a tentativa de Fidié para apoderar-se da villa de Parnahyba, que se declarara pela Independencia. Esses e outros importantes serviços á causa publica valeram a João de Andrade a nomeação de Coronel de milicias e o Officialato do Cruzeiro.
(...)Opposicionista a Pedro José da Costa Barros e adheso ás idéas da Republica do Equador, (...) foi por denuncia e traição dos seus escravos José e Francisco entregue a Conrado de Niemeyer, e, depois de condemnado pela celere Commissão Militar, foi espingardeado ao lado do P.e Gonçalo Mororó a 30 de Abril de 1825.
A essa execução se referem dois interessantes documentos publicados ás pags. 37 e 38 das minhas Datas e factos para a historia do Ceará, vol. 2.º
Nestes termos é concebida a despedida de Pessoa Anta á sua familia e aos amigos.
<Manos, patricios e amigos, envio a todos perpetua saudade muito especialmente a meus filhos, masculinos e femininos.
Oratorio, 28 de Abril de 1825.
Hoje, pelas 3 horas da tarde foi-me intimada minha sentença de morte! Prasa a Deus que fosse por Deus assim destinado, como meu verdadeiro Author.
Peço a todos que não se magôem por minha morte por não ser ella motivada por crime que mereça execração publica e sim por opinião que segui; e se tiverem noticia que em o cadafalso mostrei alguma fraquesa, não deve ser reparada, porque o homem não pode resistir aos effeitos da natureza.
Peço a todos incessantemente que roguem a Deus por minha alma nas suas orações diarias, porque meus rogos talvez não sejam capazes de obter.
O Supremo Dictador da natureza vos dê melhor sorte, que eu saudoso vos deixo. Não sou mais extenso porque já me vae faltando o tempo para os negocios d'alma.
Sou o mais amante dos patricios, e á minha nação amarei ainda na sepultura.
Adeus meus charos filhos até o dia tremendo - João de Andrade Pessoa Anta> ".